19 de jun de 2016

Sinceramente, o Brasil atual tem jeito?

Que olha a cena político-social-econômica atual se pergunta sinceramente:o Brasil tem jeito? Um bando de ladrões, travestidos de senadores-juízes tenta, contra todos os argumentos contrários, condenar uma mulher inocente, a Presidenta Dilma Rousseff, contra a qual não se acusa de nenhuma apropriação de bem público e de corrupção pessoal.
Com as recentes delações premiadas, ficou claro que o problema não é a Presidenta. É a Lava Jato que, para além das delações seletivas contra o PT, está alcançando a maioria dos líderes da oposição. Todos, de uma forma ou outra, se beneficiaram das propinas da Petrobrás para garantir a sua vitória eleitoral. “Precisamos estancar essa sangria” diz um dos notórios corruptos; “do contrário seremos todos comidos; há que se afastar a Dilma”.
Ninguém aliena nada de seus bens para financiar sua campanha. Nem precisa: existe a mina do caixa 2 abastecida pelas empresas corruptoras que criam corruptos a troco de vantagens posteriores em termos de grandes projetos, geralmente superfaturados, donde adquirem grande parte de suas fortunas.
Chegamos a um ponto ridículo, aos olhos do mundo: dois presidentes, um usurpador, fraco e sem nenhum carisma e outro legítimo mas afastado e feito prisioneiro em seu palácio; dois ministros do planejamento, um retirado e outro substituto: um governo monstruoso, antipopular e reacionário.
Estamos efetivamente num voo cego. Ninguém sabe para onde vai esta nação, a sétima economia do mundo, com jazidas de petróleo e gás das maiores do mundo e com uma riqueza ecológica sem comparação, base da futura economia. Assim como se delineia a correlação de forças, não vamos a lugar nenhum, Não é impossíveil um eventual conflito social, dada a política atual que corta direitos sociais especialmente, nos salários, na saúde e na educação.
O pobre, a maioria da população, se acostumou a sofrer e a encontrar saídas como pode. Mas chega a um ponto em que o sofrimento se torna insuportável. Ninguém aguenta, indiferente, ao ver um filho morrendo de fome ou de absoluta falta de assistência médica. E diz: assim não pode ser; temos que rebelar-nos.
Isso me faz lembrar um bispo franciscano do século XIII da Escócia que recusando os altos impostos cobrados pelo Papa, respondeu: non accepto, recuso et rebello” (“não aceito, me recuso e me rebelo”). E o Papa retrocedeu. Não poderá ocorrer algo semelhante entre nós?
Quando, nas palestras, fazendo um esforço imenso para deixar um laivo de esperança, me dizem: ”mas você é pessimista”! Respondo com Saramago: “não sou pessimista; a realidade é que é péssima”.
Efetivamente, a realidade está sendo péssima para todos, menos para aquelas elites endinheiradas, acostumadas à rapinagem, ganhando com a desgraça de todo um povo. Elas têm o seu templo de profanação na Avenida Paulista em São Paulo, onde se concentra grande parte do PIB brasileiro. Setores deles, especialmente da FIESP estão atrás do impeachment da Presidenta.
O grave é que estamos faltos de lideranças. Abstraindo o ex-presidente Lula, cujo carisma é inconteste, apontam para mim dois: Ciro Gomes e Roberto Requião, a meu ver, as únicas lideranças fortes, com coragem de dizer a verdade e pensar mais no Brasil que nos interesses partidários.
Essa crise tem um pano de fundo nunca resolvido em nossa história, desmascarado recentemente por Jessé Souza. (A tolice da inteligência brasileira, 2015). Somos herdeiros de séculos de colonialismo que nos deixou a marca  de “vira-latas” sempre dependendo dos outros de fora. Pior ainda é a herança secular do escravismo que fez com que os herdeiros da Casa Grande se sintam senhores da vida e da morte dos negros e pobres. Não basta lançá-los nas periferias; há que desprezá-los e humilhá-los. E a classe média que imita os de cima, tolamente se deixa manipular por eles e inocentemente se faz cúmplice da horrorosa desigualdade social, talvez o verdadeiro problema social brasileiro. Eticamente vista, essa desigualdade é a nossa maior corrupção, pois nos faz indiferentes ao sofrimento das maiorias e pouco fazemos para diminui-la.
Essas elites de super-endinheirados (71.440 pessoas lucram 600 mil dólares por mês nos diz o IPEA) conquistaram os meios de comunicação de massa, golpistas e reacionários, que funcionam como azeite para a sua maquinaria de dominação. Essas elites nunca quiseram a democracia, apenas aquela de baixíssima intensidade, que a podem comprar e manipular; preferem os golpes e as ditaduras; aí o capitalismo viceja à tripa forra.
Hoje já não é mais possível o recurso às baionetas e aos canhões. Excogitou-se outro expediente: o golpe vem por uma artificiosa articulação entre  políticos corruptos, o judiciário politizado e a repressão policial. Três tipos de golpe, portanto: o político, o jurídico e o policial.
Termino com as palavras pertinentes de Jessé Souza: “encontramo-nos num mundo comandado por um sindicato de ladrões na política, uma justiça de “justiceiros” que os protege, uma elite de vampiros e uma sociedade condenada à miséria material e à pobreza espiritual. Esse golpe precisa ser compreendido por todos. Ele é o espelho do que nos tornamos”.
Filosofando, direi com Martin Heidegger:“só um Deus nos poderá salvar”? Marx talvez seja mais modesto e verdadeiro:”para cada problema há sempre uma solução”. Deverá surgir uma para nós a partir do caos político em que nos encontramos. O caos pode ser generativo do novo.
Leonardo Boff é articulista e escritor

14 de out de 2015

A esquerda depois do PT:

Os grupos mais politizados à esquerda se sentem cada vez menos contemplados pelo partido que é responsável por um governo que implanta políticas altamente prejudiciais aos interesses dos trabalhadores e que, na busca da permanência no poder, não imagina outro caminho além de uma submissão cada vez mais profunda ao capital. Em nove meses de segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff não foi capaz sequer de fazer um aceno simbólico aos movimentos populares, certamente por imaginar que tal gesto assustaria aqueles que ela tenta desesperadamente agradar. Na visão política de Dilma e seu círculo, os movimentos populares não existem. Todas as equações que fazem para sair da crise incluem os mesmo elementos: os grandes grupos econômicos, as elites políticas tradicionais, as oligarquias partidárias. Por mais que a conta nunca feche, não se cogita agregar um novo fator.
No início deste segundo mandato ainda era possível imaginar que, apesar de todo desgaste, o PT possuía lastro nos movimentos sociais para manter sua relevância como força política. Hoje, está claro que não. Por mais que o golpismo dos defensores do impeachment seja evidente, por mais que ver Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves entronizados no papel de guardiães da moralidade pública cause repulsa, quem quer defender um governo cujo único programa é o aumento do desemprego e aredução do investimento social?
Espremido entre a campanha ascendente da direita, uma mídia cada vez mais abertamente hostil e o seu governo, que age diariamente contra sua base social, o PT caminha para se esfarelar com uma velocidade inimaginável um ano atrás. Movimentos sociais acomodados com a interlocução com o PT estão percebendo que o partido perdeu a capacidade de expressar suas demandas. Mas também muitos deputados, prefeitos e vereadores petistas buscam novas legendas, por vezes até na direita, em geral por simples oportunismo – o que revela, por si só, como o PT se tornou parecido com os partidos tradicionais.
Evidentemente, tudo isso não é efeito apenas do descalabro do segundo governo Dilma. O PT nasceu com um projeto – inacabado, em aberto, contraditório. Apontava para um horizonte de transformação profunda da sociedade, incluindo algum tipo indefinido de socialismo, alguma forma nova de fazer política e também a revalorização da experiência das classes trabalhadoras. A busca de relações radicalmente democráticas, de uma política efetivamente popular, fazia parte da “alma do Sion”, comoAndré Singer definiu o espírito original do partido, fazendo referência à sua fundação no Colégio Sion, em São Paulo, em 1980.
Para pessoas treinadas nas tradições organizativas da esquerda, o PT original possuía uma perigosa indefinição programática, além de ser vítima de um basismo e de um purismo paralisantes. De fato, o partido surgiu num momento em que essas tradições estavam em xeque. Os equívocos do PT foram fruto de sua vontade de não repetir o trajeto dos partidos leninistas ou da social-democracia, que, cada um a seu modo, tenderam a se fossilizar em estruturas hierárquicas e burocráticas. Tratou-se de uma experiência inovadora, inspiradora para a parte da esquerda que tentava se renovar em muitos lugares do mundo.
Tal inovação apresentava custos crescentes, à medida em que o partido crescia. Na famosa lei de ferro das oligarquias, no início do século XX, Robert Michels afirmou que “quem fala organização, fala oligarquização”. Deixando de lado seu determinismo retrógrado, é possível dar crédito ao pensador alemão nos dois eixos centrais de sua reflexão: as camadas dirigentes tendem a desenvolver interesses próprios, diferenciados daqueles da massa de militantes, e a eficiência organizativa trabalha contra ademocracia. De fato, é fácil “discutir com as bases” quando se é um ator político pouco relevante. Depois, fica cada vez mais claro que o timing da negociação política prevê a concentração das decisões nas mãos dos líderes.
Como costuma ocorrer em organizações políticas inovadoras, o crescimento levou a tensões crescentes entre percepções mais “realistas”, que julgavam necessário um esforço de adaptação ao mundo da política tal como ele é, e outras mais principistas. A conquista das primeiras prefeituras municipais foi, em muitos casos, dramática. Mas até então o partido lutava para não renunciar à possibilidade do exercício localizado do poder político sem abrir mão dos princípios gerais que orientavam sua organização.
É possível datar com precisão o momento em que o PT iniciou sua caminhada para se transformar naquilo que é hoje: o anúncio do resultado do primeiro turno das eleições de 1989. Quando Lula passa à etapa final da disputa, ao lado de Fernando Collor, parecia se tornar claro que um bom aproveitamento do clima político, aliado a um marketing eleitoral competente, proporcionaria um acesso mais rápido ao poder do que o trabalho de mobilização no qual o partido apostava desde sua fundação. O fato de que o partido hesitou em aceitar, no segundo turno, o apoio de políticos conservadores, mas democratas, é em geral apontado como uma demonstração de seu caráter naïf e de seu despreparo para a política real. É provável. Mas não dá para não respeitar tal purismo, sobretudo à luz do PT posterior, para o qual ninguém, de Maluf a Collor, de Sarney a Jader Barbalho, de Kátia Abreu a Michel Temer, está fora do alcance de uma possível aliança.
Entre a hesitação inicial de 1989 e a política de alianças indiscriminada adotada a partir de 2002 houve uma evolução paulatina, eleição após eleição. Evolução também no discurso, no programa político, na forma de fazer campanha. É razoável dizer que o PT abandonou a ideia de que a campanha eleitoral era um momento de educação política. Quando Duda Mendonça assume, na quarta candidatura presidencial de Lula, já está claro que não se deve mais disputar a agenda, nem os enquadramentos ou valores dominantes. Para ganhar a eleição, é mais fácil mudar o candidato para se encaixar nas expectativas vigentes. Estava surgindo o Lulinha paz e amor, que não é só uma persona do marketing eleitoral, mas a indicação da visão de que seria possível fazer política transcendendo os conflitos.
Só que os conflitos não são transcendidos, são escamoteados. E quando são escamoteados, isso sempre trabalha em favor daqueles que já estão em posição privilegiada. O governo Lula vendeu ao capital sua capacidade de apaziguar os movimentos sociais. Com a elite política, prosseguiu no toma-lá-dá-cá típico brasileiro, agravado pelo fato de que, dada a desconfiança que o PT precisava enfrentar, os termos da troca eram piores. Graças a isso, ganhou a possibilidade de levar a cabo uma política de combate à miséria. Sem negar sua importância, o fato é que foram 12 anos em que o avanço social se mediu exclusivamente pelo acesso ao consumo. A fragilidade de uma política que não enfrentou nenhuma questão estrutural nem desafiou privilégios fica patente pela facilidade com que os supostos avanços da era petista vão sendo desmontados. Voltamos ao momento do desemprego, da redução do poder de compra dos salários, do desinvestimento nos serviços públicos. E, como o ambiente parece propício, de roldão são acrescentados retrocessos ainda maiores: precarização das relações de trabalho,criminalização da juventude, legislação retrógrada no campo da família e da sexualidade.
O momento, em suma, é o da maior derrota das forças progressistas no Brasil após o golpe de 1964. E uma parcela considerável da responsabilidade recai sobre um partido que não soube ou não quis aproveitar as oportunidades de que dispôs para consolidar algum tipo de avanço político e social.
Ao fim do processo, a esquerda brasileira parece órfã. Nos últimos 30 anos, o PT ocupou uma posição de absoluta centralidade neste campo, seja sob a chave da utopia, seja sob a chave do possível. Mesmo os críticos, mesmo os não petistas, encaravam o partido com um pilar incontornável da esquerda. Hoje, é cada vez mais evidente que a única maneira de ler o PT é como um experimento fracassado. Torna-se necessário pensar novas formas de organização e ação, novos instrumentos para fazer política, superando o saldo de desencanto e de desesperança que o final melancólico dos governos petistas deixa.

prof   Luis Felipe Miguel, professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, em artigo publicado por Blog da Boitempo

30 de set de 2014

REVOLTA DA BALAIADA: Estudantes da UEMA de Imperatriz, visitam a cidade de Caxias

Estudantes do 5º período matutino de História da UEMA de Imperatriz, visitaram no último final de semana locais históricos de Caxias-Ma. A aula em campo proporcionou aos estudantes uma viagem pela história no memorial da Balaiada  e as ruas históricas de Caxias, despertando a curiosidade e o interesse dos estudantes. Coordenada pelo prof. Luis Maia (Mestre em História do Maranhão), e com o apoio da professora de Hístória da UEMA de Caxias, Jordânia Pessoa.
 
Na década de 1990 um grupo de estudantes universitários e historiadores, liderados por um arqueólogo, resolveu recontar a história da Balaiada. Para isso se instalaram no Morro do Alecrim, palco final da revolta. Eles trabalharam durante meses, atrás dos vestígios do conflito. "Hoje historiadores já escrevem sobre essa nova versão. A versão dos vencidos, dos balaios como verdadeiros heróis na batalha contra os opressores".  O resultado das buscas arqueológicas fez surgir o Memorial da Balaiada. No acervo de 350 peças, restos de armamentos, balas de chumbo, projéteis, botões e fivelas dos militares e dos homens e mulheres que fizeram a revolta. As escavações encontraram até fragmenmtos de ossos humanos. A coleção do museu tem também instrumentos de castigo dos ecravos, como correntes ultilizadas em castigos dos escravos, como correntes e gargalheiras.
 
O memorial é o maior museu de Caxias e recebe, em média, 900 visitantes por mês. 
 
CONFIRA AS FOTOS:






11 de mai de 2014

ESCANDÂLO NA PETROBRAS: Refinaria no Maranhão gasta R$ 1,6 bi e não sai do papel


Refinaria deveria estar em pleno funcionamento em 2016, mas está paralisada
Foto: Chico de Goias / Chico de Gois
No início de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a governadora Roseana Sarney, o pai dela, senador José Sarney (PMDB-AP) e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, fizeram festa, com direito a discurso, para o lançamento da pedra fundamental da Refinaria Premium I em Bacabeira, a 60 km de São Luis. Seria a maior refinaria do Brasil, com capacidade de produzir 600 mil barris/dia, empregaria 25 mil pessoas no ápice das obras e deveria entrar em pleno funcionamento em 2016. Quatro anos depois, o que se vê é a paralisação da obra, que somente em terraplanagem, consumiu R$ 583 milhões, além de mais R$ 1 bilhão em projetos, treinamentos, transporte, estudos ambientais. Todo o montante foi pago pela Petrobras.
O custo total da refinaria está estimado em R$ 38 bilhões, mas a própria empresa afirmou, em nota enviada ao GLOBO, que “somente após a conclusão da etapa de consulta ao mercado será possível mensurar o custo total da refinaria”. A previsão, agora, é que ela entre em operação em 2018.
Apesar da festa no lançamento da pedra fundamental, nem projeto básico havia na ocasião. De prioritária, a futura refinaria entrou num limbo. No Plano de Negócios para o quadriênio 2013/2017, o empreendimento consta apenas na carteira de fase de projeto. Um relatório de fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU), de abril do ano passado, apontou indícios graves de irregularidade na terraplanagem — a única obra que teve início, mas que foi paralisada sem ser concluída, conforme relatório do tribunal. De acordo com os fiscais do TCU, somente em 1º de novembro de 2010 — oito meses depois da festa com Lula e companhia — e já com a terraplanagem em andamento, é que foi assinado um contrato para elaboração do projeto básico da Refinaria.
A pressa da Petrobras em dar visibilidade a uma refinaria que não tinha nem projeto básico ocasionou, de acordo com relatório do TCU, um dano de R$ 84,9 milhões. Diz um trecho do documento: “Entende-se que o contrato não poderia ter sido assinado sem a liberação das áreas para o consórcio construtor. A consequência disso foi um dano de R$ 84,9 milhões”. No entendimento dos técnicos do tribunal, a petroleira foi responsável pelo atraso na liberação do terreno e demorou a emitir ordens de serviço para que a terraplanagem começasse. O valor do dano contempla uma ação extrajudicial e um aditivo.
Os auditores do TCU apontaram que houve mudanças no leiaute do projeto e, com isso, toda a obra foi comprometida. “A gênese de todo o problema parece estar na decisão de iniciar-se uma obra desse porte sem um planejamento adequado, passível de toda sorte de modificações. Até esta data (3 de abril de 2013), passados cinco anos dos primeiros estudos, ainda não se tem um projeto completamente definido para a Premium I”, anotaram os auditores.
Profusão de aditivos
Segundo a vistoria do TCU, foram feitas alterações que transformaram completamente o projeto. “Uma importante alteração foi o aumento considerável do número de tanques. Ao que consta, a tancagem planejada inicialmente para situar-se na zona portuária, por restrições de espaço ou mesmo por mudança de concepção do projeto, localizar-se-á na área da refinaria”, observaram os técnicos, que apontaram outras mudanças significativas no plano original. “Essas modificações impactaram o contrato de terraplanagem, contribuindo, certamente, para a profusão de aditivos”, escreveram os auditores.
A terraplanagem foi contratada em 14 de julho de 2010 com o Consórcio GSF, formado pelas empresas Galvão Engenharia, Serveng Civilsan e Fidens Engenharia, com valor inicial de R$ 711 milhões. Em abril do ano passado, o contrato foi interrompido, com 80% das obras concluídas e o pagamento de R$ 583 milhões. Os auditores verificaram que, entre esses aditivos, haviam vários que cancelavam determinado valor, com mudanças no quantitativo dos trabalhos, mas, em seguida, um novo aditivo aumentava o mesmo valor, inclusive com centavos, em outro tipo de serviço.
Os 13 aditivos feitos ao contrato da terraplanagem acarretaram um acréscimo de R$ 14,2 milhões na obra. No total, foram realizadas 14 modificações de valores e mais uma transação extrajudicial entre as partes no valor de R$ 73,9 milhões. A terraplanagem também precisou contar com um trabalho extra por causa de erosão no solo e, para tratar do problema, a Petrobras contratou outra empresa a Cristal Engenharia, por mais R$ 7,5 milhões. A auditoria anotou: “ou seja, a Petrobras celebrou outro contrato, destinado a manter parte dos trabalhos de terraplanagem já desenvolvidos. Todavia, foi constatado que este novo ajuste não prevê a conclusão de algumas estruturas inacabadas.”
Oito dos aditivos realizados pela Petrobras no contrato modificavam, e muito, o tipo de serviço a ser realizado, mas, no final, os valores cancelados e acrescidos acabaram praticamente os mesmos. Os técnicos demonstraram que “embora se compreenda que uma obra de terraplanagem necessite de ajustes nas quantidades estimadas inicialmente, a dimensão desses ajustes reflete a má qualidade do projeto. Não se pode aceitar, por exemplo, uma redução da ordem de 96% em um quantitativo”.
A Petrobras informou que os aditivos ocorreram “em consequência do elevado grau de detalhamento adotado pela empresa na constatação, com mais de 144 itens na planilha de preços unitários”. Sobre a concorrência para a construção da refinaria, a assessoria da petroleira declarou que “os pacotes de contratação estão em ajustes finais para serem lançados no mercado. Em março já foram emitidos convites para terceirização dos serviços de geração de hidrogênio e de tratamento de água e efluentes. Os projetos passaram por adequações e estão aderentes às métricas internacionais”.


2 de abr de 2014

ARROGÂNCIA AMERICANA: Os Simpsons’ voltam ao Brasil para lutar contra a corrupção na Copa e fazem previsão: seremos vice-campeões


Homer e Bart no avião a caminho do Brasil em novo episódio dos "Simpsons"
Depois de toda a polêmica gerada por sua última aparição no Brasil - que envolveu até mesmo uma perseguição com macacos -, "Os Simpsons" voltaram ao país no episódio exibido nos Estados Unidos no último domingo (30). O blog assistiu ao desenho e avisa: pode ser que alguns espectadores mais sensíveis e patrióticos sigam ofendidos. Tudo começa assim: eleito por Lisa seu herói num evento do colégio, Homer torna-se um símbolo de honestidade. Sendo assim, cartolas da Copa do Mundo vão até o personagem pedindo para que ele vire árbitro do evento, uma vez que ele está tomado pela corrupção.



"Air Brasilia", a companhia aérea dos Simpsons na vinda para o Brasil: macacos na pintura
Sim, todo o episódio gira em torno do tal "jeitinho" que os organizadores tentam dar para que o Brasil vença a Copa. Tentando manter-se honesto, Homer é alvo de todo tipo de suborno. A ponto que cada torcedor no estádio tentar comprá-lo de alguma maneira durante uma partida. Por falar em estádio, a Arena Corinthians é mostrada na animação de Matt Groening. Veja abaixo:


A Arena Corinthians aparece na animação americana
Não faltam piadas sobre os hábitos do país, claro. Uma delas surge na pele de Marge, que tenta aprender nosso idioma a todo custo para evitar "mal entendidos como da última vez". Em outro momento, tentam subornar homer com um sanduíche de presunto fresco - detalhe: o porco está vivo amarrado a dois pães. Numa das propagandas exibidas num jogo de futebol, a ordem é para que os arruaceiros sigam para o Paraguai durante a Copa. Seria essa uma ironia sobre a proibição de protestos durante a competição?


Mensagem em português manda os "arruaceiros" irem para o Paraguai
Alguns cartões postais das capitais brasileiras são mostrados. Os personagens passam por Rio de Janeiro, Recife, São Paulo, Manaus e Brasília. Na capital paulista, dá para ver a catedral da Sé, o edifício Altino Arantes e a Ponte Estaiada. "Eu poderia viver tranquilamente no Brasil, se não fossem esses peixes que sobem pela privada", suspira Homer. Num dos jantares, vão à Figueira, restaurante conhecido por ter uma árvore no meio do salão.


A Catedral da Sé, o edifício Altino Arantes e a Ponte Estaiada surgem na animação
No campo, os jogadores brasileiros são espertos e fingem falta ao menor avanço do adversário. E, torcedores, "Os Simpsons" traz uma previsão: o Brasil vai, sim, para a final da Copa. Mas, como Homer não se rende ao suborno, nossa seleção é derrotada pela Alemanha por 2 x 0. Os narradores - um deles sustenta o "goooooooool" eternamente como Galvão Bueno - dizem que nunca viram a torcida tão deprimida. Tudo culpa do juiz honesto, claro.


O placar da final da Copa do Mundo. Seremos vice de novo jogando em casa?

Um dos jogadores da seleção finge pênalti no desenho
No final do episódio há tempo até mesmo para uma passada na Amazônia, que está sendo desmatada para dar lugar a uma lanchonete fast food do palhaço Krusty. Sabe o que ele pretende servir no sanduíche? Carne de macaco.


Homer na floresta: Amazônia está sendo desmatada para dar lugar a fast food
Resumo da ópera: o desenho americano dirige a maior parte de suas piadas à má fama de país corrupto que temos. Alguns podem até se ofender, mas que o episódio é engraçado, ah, isso é. Exibido pela Fox nos Estados Unidos, este segmento específico ainda não tem data para ir ao ar no Brasil.

18 de jan de 2014

POLITICO DE ESTREITO ENVOLVIDO: A maior fraude na história da caixa de R$ 73 milhões

A Polícia Federal procura cinco envolvidos num golpe milionário contra a Caixa Econômica Federal, entre eles suplente de deputado federal Ernesto Vieira Carvalho Neto (PMDB-MA), apontado como mentor da fraude. De acordo com a instituição financeira, trata-se da maior fraude já sofrida em toda a sua história.
No último dia 5 de dezembro, uma conta foi aberta na agência da Caixa em Tocantinópolis para pagar R$ 73 milhões de prêmio da Mega-Sena, com nome fictício e um falso bilhete da premiação. A CEF percebeu a fraude na conferência do bilhete e acionou a Polícia Federal. Segundo o delegado da PF em Tocantins, Almir Clementino Soares, a autorização para a abertura da conta foi dada pelo gerente geral da agência, Robson Pereira do Nascimento, que teria sido cooptado pelos golpistas. Logo após a conta ter sido aberta, foram feitas transferências de R$ 40 milhões para uma conta em São Paulo e R$ 33 milhões para outra em Goiás. A partir daí, passaram a ser feitas várias transferências de valores mais baixos, inclusive para outros bancos, para permitir o saque dos valores.
Soares afirmou que a PF pediu o bloqueio das contas à Justiça e, com isso, 70% do valor foi recuperado, evitando que a fraude se transformasse também no maior prejuízo da instituição com algum golpe.
- Dos cinco procurados, três são do Maranhão, um de Goiás e um de São Paulo - informou o delegado.
De acordo com a PF, os cinco estão com a prisão preventiva decretada, não foram localizados neste sábado e são considerados foragidos, pois já há provas contra eles de participação no golpe. Na residência do procurado em Goiás, foram apreendidos extratos bancários que comprovam que ele movimentou o dinheiro da conta. Os envolvidos podem responder pelos crimes de peculato, receptação majorada, formação de quadrilha e de lavagem de dinheiro. Caso os suspeitos sejam condenados as penas somadas podem chegar a 29 anos de prisão.
Soares conta que, depois das duas transferências para Goiás e São Paulo, foram efetuadas centenas de outras de valores mais baixos, com o objetivo de facilitar o saque do dinheiro, para contas de pessoas físicas e jurídicas, na Caixa e em outros bancos. Com o início do bloqueio das contas, diz o delegado, os envolvidos perceberam que o golpe fora descoberto e fugiram.
- Formaram uma teia de aranha - afirma o delegado, explicando que a PF elaborou um organograma para chegar aos cabeças da fraude.
A PF não descarta pedir a prisão de outros envolvidos e afirmou que todos os beneficiados com depósitos serão investigados.
A operação realizada neste sábado, que contou com 65 policiais federais nos estados, foi batizada de Éskhara, e cumpriu dez mandados de busca e apreensão em Goiás, Maranhão e São Paulo, além do Tocantins.


14 de jan de 2014

MARANHÃO: PT estuda romper com o PMDB e lançar candidato ao governo

Diante da saia-justa no Maranhão entre o apoio ao PMDB da família Sarney ou à candidatura de Flávio Dino (PCdoB), a direção do PT já estuda a possibilidade de lançar um candidato à sucessão da governadora Roseana. Setores do PT acreditam que uma candidatura própria amenizaria o rompimento com o clã Sarney. Seria mais traumático o PT apoiar Dino, como deseja grande parte dos petistas.
No Maranhão, um dos maiores nós na aliança com o PMDB, o diretório do PT é rachado: uma ala participa do governo Roseana e outra faz oposição. Em 2010, o PT nacional interveio e impôs o apoio à Roseana contra o próprio Dino. Esse debate ressurgiu, mas agora Roseana deve concorrer ao Senado. Com uma dívida de gratidão com Sarney, o ex-presidente Lula defende o apoio ao PMDB, mas o presidente do PT, Rui Falcão, sugeriu há alguns meses uma solução intermediária: apoiar Dino ao governo e Roseana ao Senado, o que não foi aceito por nenhuma das partes


12 de jan de 2014

DEU NO GLOBO: Roseana Sarney já gastou R$ 274 milhões com empresas de aliados


Governadora do Maranhão, Roseana Sarney, dá entrevista coletiva sobre onda de violência
Foto: Hans von Manteuffel / O GloboA governadora do Maranhão, Roseana Sarney, é uma mulher de família. Herdeira do político mais longevo do país — no ano que vem, completam-se 50 anos desde que José Sarney assumiu o governo do estado e 60 desde que se sentou na cadeira de deputado estadual como suplente —, Roseana, com 60 anos e em seu quarto mandato, mantém negócios com empresas de parentes e tem amigos e familiares ocupando postos-chaves em várias esferas de poder, o que lhe garante relativa blindagem.
Levantamento realizado com base no Portal da Transparência do governo do Maranhão aponta que, de 2009, quando ela retornou ao governo, em abril daquele ano, ao final de 2013, empresas de familiares, amigos e correligionários receberam R$ 274,1 milhões dos cofres do estado. Entre os donos das firmas aquinhoadas, há de tudo: o advogado que a representa em processo de cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE); o cunhado; a construtora de Luciano Lobão, filho do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão; o senador Lobão Filho (PMDB-MA); e até mesmo um shopping que tem entre os acionistas o pai da governadora, o senador José Sarney (PMDB-AP).
A segunda empreiteira que mais recebeu dinheiro do governo do Maranhão no ano passado foi a Ducol Engenharia. Ela pertence a Herny Duailibe, primo do marido de Roseana, Jorge Murad. A empresa foi denunciada pelo Ministério Público por ter recebido, em 2003, R$ 1,3 milhão para realizar diversas obras de pavimentação em municípios maranhenses, mas não teria realizado os serviços. Apesar da ação, isso não impediu Roseana de contratar a mesma construtora para realizar outras obras. De 2009 até o final do ano, só a empreiteira ganhou R$ 169,7 milhões do governo.
Henry Duailibe é sócio também da Duvel Veículos, que vende carros para o governo. No período de 2009 a 2013, ele recebeu R$ 1,9 milhão. Outro membro da família Duailibe que mantém negócios com o governo de Roseana é Helena Maria, mulher do cunhado dela. A Construtora Domus, que a tem como representante, recebeu no período R$ 9,9 milhões.
Ex-sócio de Murad faz a segurança de presídio e já recebeu R$ 22 milhões
Outra empresa que vem ganhando muito dinheiro dos cofres do governo do Maranhão é a Atlântica Segurança. No ano passado, ela recebeu R$ 12,9 milhões de diversas secretarias. E, entre 2009 e 2013, foram, no total, R$ 22,2 milhões. A Atlântica, que entre outras coisas faz segurança no presídio de Pedrinhas, tem como dono Luiz Carlos Cantanhede Fernandes, ex-sócio de Jorge Murad, marido de Roseana, numa pousada em Barreirinhas, cidade onde estão os Lençóis Maranhenses. Em 2002, quando estourou o caso Lunus, e a PF apreendeu R$ 1,3 milhão em dinheiro na empresa de Murad, Cantanhede argumentou que parte do dinheiro lhe pertencia. Cantanhede é dono ainda da Atlântica Limpeza e Serviços Gerais, que recebeu R$ 8,7 milhões.
Advogado de Roseana num processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pretende cassar o mandato dela, Alfredo Duailibe ganhou um contrato, sem licitação, no governo de sua cliente. Já recebeu R$ 9,5 milhões, desde 2009.
Da lista de empresas há até mesmo o shopping que tem como um dos principais acionistas o senador José Sarney (PMDB-AP), pai da governadora. O Shopping Jaracaty, que aparece na declaração de bens de Sarney, em 2006, aluga oito lojas para o Programa Viva Cidadão, que reúne vários órgãos estaduais para facilitar a obtenção de documentos. O Jaracaty recebeu R$ 1,6 milhão pelo aluguel.
Amiga íntima do clã, a família do senador Edison Lobão (PMDB-MA) também recebeu uma boa quantia em dinheiro. A Hytec Construtora, que tem como sócio um dos filhos dele, Luciano Lobão, amealhou R$ 40 milhões. Já o senador Lobão Filho (PMDB-MA) recebeu, no final do ano passado, R$ 4,6 milhões pela desapropriação de um terreno seu para obras numa via expressa que passa em frente ao shopping de Sarney. Insatisfeito com o valor, Lobão disse, por meio da assessoria, que terá que entrar na Justiça contra o governo da amiga porque diz que o terreno ocupado pelo estado valeria R$ 18 milhões.
Ainda assim, a governadora é pouco fiscalizada. Em órgãos estratégicos, ela mantém aliados e parentes. A corregedora do Tribunal de Justiça, Nelma Sarney, é sua tia. O presidente da OAB-MA, Mario Macieira, é primo dela, e a mulher dele, Luiza de Fátima, é secretária de Assistência Social. A procuradora-geral de Justiça, Regina Lúcia de Almeida Rocha, é tia do secretário de Desenvolvimento, Hildo Rocha. No Tribunal de Contas, o mais novo integrante era o vice-governador, Washington de Oliveira (PT).
 
Fonte: Jornal O Globo

TRISTE REALIDADE: O Maranhão está rico ou apenas alguns maranhenses?

 
A afirmação da governadora Roseana Sarney, que administra o estado com os piores indicadores sociais do país, soa como um deboche não só para os maranhenses, mas para todos os brasileiros. “Um problema que piora a segurança é que o Maranhão está mais rico”, disse ela em entrevista coletiva na quinta-feira (9), ao lado de um constrangido ministro da Justiça. José Eduardo Cardozo teve que ouvir ainda que as mortes ocorridas no presídio de Pedrinhas “até setembro estavam dentro do limite que se esperava”, como se as cabeças decepadas e mostradas em vídeo para todo o Brasil fossem apenas enfeites macabros de alguma festa folclórica de seu estado.
O Maranhão está mais rico ou apenas alguns maranhenses enriqueceram? A resposta a essa pergunta está nas compras que o governo de Roseana mandou fazer com uma extensa lista de bens de consumo que milhões de maranhenses ao longo de suas vidas sequer terão a chance de ver esses produtos de perto. A compra de lagosta, champanhe, uísque e caviar para abastecer a dispensa do Palácio dos Leões, numa total contradição com o povo paupérrimo, não é um acinte, mas sim o retrato fiel do cotidiano de uma elite que vive isolada da realidade do estado, que faz licitações, como a do Porto de Itaqui, que não beneficia o povo maranhense mas a si própria. Pobre Maranhão, que não viu o aumento da classe média, que fica cada vez mais longe do desenvolvimento e que há décadas não tem governo para o povo.
 
Fonte: JORNAL DO BRASIL

31 de dez de 2013

RICOS x POBRES: Filho de ex-governador de Mato Grosso, se torna refém do crack


O uso do crack afeta por uma questão financeira as pessoas mais pobres, embora essa droga, como a morte, não escolhe classe social. Aliás, o crack é o caminho mais curto para se chegar a este fim inevitável. Ao longo dessa reportagem que durou semanas se conheceu ou conversou com viciados em crack e em outras drogas.
Entre eles estavam estudantes, moradores de rua, profissionais liberais, alcoólatras em botecos, políticos, policiais, desempregados, ex presidiários, entre tantos outros.
Por esses caminhos a reportagem teve acesso a um vídeo em que um rapaz, na matinha ciliar do córrego do Voadeira, a cerca de 200 metros do Araguaia Park Hotel fumava pasta base de cocaína (crack) na lata. Assim que atingiu o êxtase ele acenou para a câmera, sorriu, depois abaixou a cabeça.
Aquele rapaz é mais uma vítima das drogas que assim como outros jovens espalhados por todas as franjas da cidade. Ele teria tudo para ser um belo rapaz e de muito boa aparência. Ele é de boa família, é bem articulado, mas está se sucumbindo ao vício sem que ninguém faça nada em absoluto por ele.
O hotel a que nos referimos a pouco é o mais suntuoso da cidade e de propriedade de sua família e ele sabe disso. Um de seus donos e que representa o espólio da família é o prefeito de Barra do Garças, Roberto Ângelo de Farias, que anunciou em data recente que sua secretária de Ação Social, Mara Kisner, fora escolhida a receber um prêmio na Costa do Sauipe, na Bahia, tida entre as melhores secretárias do país, mas que parece ignorar situações dessa magnitude, a de estender a mão ao irmão do próprio prefeito a quem serve com enlevo. Imaginem então outros jovens anônimos da cidade.
Apesar de ser maior de idade Luiz Henrique não é interditado, embora exista uma ação tentando interditá-lo (para que ele possa ter um curador que responda por ele) vez que é vítima e precisa de um tratamento especializado e que ninguém feche os olhos para sua condição física, emocional e social. É preciso que o poder público se manifeste não só a respeito de Luiz Henrique, mas de todos os outros jovens que passam pela mesma situação.
Mesmo àqueles que queiram induzir a pecha de que a equipe do jornal A Semana pertença à turma “do quanto pior melhor”, (no dizer do vereador Miguelão), são milhares as pessoas que conhecem Luiz Henrique na cidade. É comum vê-lo transitando pela Câmara Municipal pedindo moedas e foi também por sugestões, de vereadores, de políticos, da gente do povo que levantamos esta matéria, consultando as galerias do site do Fórum de Barra do Garças, entre dezenas de outras fontes, mesmo que este gesto venha afetar a ira daqueles que defendem o prefeito na televisão de sua propriedade, a TV Serra Azul.
Contudo, apesar dos percalços, Luiz Henrique briga na justiça pelo direito à parte do espólio de seu pai, o ex-governador de Mato Grosso, Wilmar Peres de Farias (já falecido). Esse embate é de quando ele assinava Luiz Henrique Almeida de Matos, nascido no ano de 1983 e que teve sua paternidade reconhecida em abril desse ano, conforme Certidão de Nascimento do Cartório do Registro Civil de Barra do Garças, quando passou então assinar Luiz Henrique Peres de Farias.
Segundo o advogado de Luiz Henrique, Alexandro Takishita, foi feito um exame de DNA extrajudicial em um laboratório conceituado da cidade pedindo investigação de paternidade. Ele diz que quando entrou com a ação de reconhecimento de paternidade, em Aragarças, “Roberto Farias já havia estado no cartório do Manoelzinho, naquela cidade e celebrado com Luiz Henrique uma seção de direitos hereditários em seu favor e de sua irmã Eneida, (em outras palavras como se Luiz Henrique abrisse mão de sua herança). Foi por isso que ele [Roberto] não contestou a ação”, ressalta o advogado.
Ainda, segundo o advogado Alexandro Takishita, foi dado ao seu cliente na ocasião R$ 700. “Apropriaram da herança a que o rapaz tem direito”. Ele disse ainda que Roberto Farias teria dito na ocasião a Luiz Henrique: “Você é meu irmão mesmo”. Luiz Henrique não é interditado, embora exista uma ação com esse intento que ainda não foi julgada pela justiça, uma curatela que nomeie um curador responsável.
Um laudo de 2007 dá conta de que Luiz Henrique, aos 23 anos de idade, já era incapaz por ser dependente químico. Ele foi criado com avó materna e as tias. Sua mãe Maria Lourdes Silva de Matos mora em Goiânia e conforme disse o advogado, quer pegar sua guarda, “mas por interesse”, conforme frisou Alexandro.
Enquanto isso Luiz Henrique, dado seu avançado estado de saúde, nem sabe se espera uma decisão da justiça que possa salvá-lo das drogas. Herdeiro do fabuloso espólio de seu pai, Wilmar Peres de Farias, é preciso que a justiça se manifeste em seu favor, que obrigue o representante desta fortuna (Roberto Farias) a interná-lo em uma clínica de recuperação para que seu irmão possa usufruir desses bens antes que seja tarde demais.

29 de dez de 2013

O SONHO ACABOU. Apenas R$ 140,00 mensais será o valor destinado a cada garimpeiro de SERRA PELADA

Informações da Colossus dão conta que a parceria entre a canadense Colossus e a Coomigasp em Serra Pelada vai produzir 1.000.000 de onças de ouro (cada onça equivale a 31,1 gramas) ao longo dos onze anos previstos de produção. Se confirmada a expectativa, o sonho de bamburrar dos garimpeiros vai por água abaixo, já que caberia pouco mais de R$140,00 mensais ao longo de onze anos a cada um dos 38.000 garimpeiros hoje associados a Coomigasp.

No final de 1979 a filha de um vaqueiro da Fazenda Três Barras, localizada no então município de Marabá, no sudeste do Pará trouxe algumas pedras junto da água que buscara em um córrego da fazenda. Aristeu, um funcionário da fazenda que já havia trabalhado em um garimpo em Cumarú do Norte reconheceu, encrostada em uma das pequenas pedras, uma “risca” de ouro. Precavido, Aristeu nada disse aos demais funcionários. Todavia, visitou o local pra ver se encontrava algo mais consistente.

No fim semana seguinte, Genésio Ferreira da Silva, dono da fazenda, chegou ao local e foi comunicado por Aristeu das suspeitas de que havia uma boa quantidade de ouro no local que o garimpeiro chamou de Grota Rica. Os dois, em uma única tarde, munidos apenas de um prato esmaltado e uma picareta tiraram do pequeno córrego nada menos que 79 gramas de ouro puro.

A notícia de ouro brotando no pé da Grota Rica correu o país. Garimpeiros ávidos pelo metal precioso migraram de todos os cantos do país para a região. Em abril de 1980, apenas quatro meses após o anúncio da descoberta de ouro, cerca de dez mil garimpeiros já estavam no local que passou a ser chamado de Serra Pelada e que receberia, em dezembro daquele ano, o impressionante número de cento e vinte mil garimpeiros circulando de dentro para fora da cava em movimentos tão sincronizados como se um grupo de balé fosse.
Em 1981 os garimpeiros foram registrados pelo Receita Federal e o garimpo sofreu uma intervenção comandada pelo militar Sebastião Rodrigues de Moura, o major Curió. Todo o ouro ali descoberto teria que ser vendido para a Caixa Econômica Federal.

Ainda em 1981, com a escassez de ouro na superfície, o governo federal deu início a algumas obras visando prorrogar a extração manual. A ação deu certo e em 1982 o garimpo foi reaberto. Curió foi eleito deputado federa, propondo, em 1983, uma lei que dava permissão para que garimpeiros continuassem explorando o ouro de Serra Pelada por cinco anos. Em 1984, a Vale recebeu indenização de US$ 59 milhões pela perda da concessão da mina por quebra de contrato, já que a mineradora era a detentora da lavra.

Em setembro de 1983, Lindolfo de Brito achou em Serra pelada a maior pepita já registrada no Brasil, com 62,3 quilos. O lugar fervilhava a ponto do aeroporto local receber cerca de 30 viagens de monomotores diárias – na época, o movimento de táxi aéreo superava o do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Serra Pelada se tornara o maior garimpo a céu aberto do mundo.

Nasceu Curionópolis, um pequeno vilarejo à margem da PA-275 usado para a diversão dos garimpeiros de Serra Pelada, já que no garimpo eram proibidas a entrada de mulheres, drogas, armas e álcool.
Como não havia mais ouro na superfície, os garimpeiros cavavam um buraco, que era drenado todos os dias e a procura pelo ouro de Serra Pelado foi ficando mais perigosa. Para levar o minério até o riacho onde era lavado, os garimpeiros subiam e desciam escadas moldadas no barro ou improvisadas com madeiras. Cada saca pesava 35 quilos: em um dia, um “formiga” carregava 1,7 tonelada de barro. Em julho de 1983, dezenove pessoas morreram em um deslizamento de terra.

Algumas fortunas foram feitas em Serra Pelada. Tantas outras retornaram e se perderam como investimentos para dentro do buraco, que em 1984 já tinha mais de 200 metros de profundidade e hoje é uma grande lagoa que serve apenas para que os antigos garimpeiros que ainda vivem na Vila de Serra Pelada voltem a sonhar em vê-lo novamente produzindo.

O garimpo, a cada dia, se tornava menos lucrativo para o garimpeiro e para o Estado. Mas, apesar de todos esses fatores, os garimpeiros continuavam trabalhando dia e noite na esperança de “bamburrar” – expressão relacionada ao fato de enriquecer.
O garimpo foi interditado por diversas vezes devido a desmoronamentos e quebra das dragas que sugavam a água do fundo do enorme buraco. Numa dessas paralisações, em 1984, garimpeiros revoltados por não serem atendidos em obras de rebaixamento do garimpo que supostamente viabilizariam o reinício da lavra, invadiram Parauapebas e queimaram parte do Núcleo Urbano recém criado pela Vale.

Houve uma tentativa de invadir a mina de ferro em Carajás. Autoridades estiveram sob a mira de garimpeiros por diversas horas. Após intensas negociações, os reféns foram libertados e os garimpeiros voltaram para Serra Pelada, onde aguardariam o início das obras, que jamais aconteceram. Serra Pelada permaneceu desativada.

Vários outros conflitos foram produzidos por garimpeiros e a PM do Pará. Num deles, o garimpeiro João Edson Borges foi espancado e morto por um policial. Em reação, um policial foi morto e a Polícia Militar acabou expulsa de Serra Pelada.

Em dezembro de 1987, um conflito que ficou conhecido como Massacre de São Bonifácio ou Guerra da Ponte aconteceu em Marabá, quando garimpeiros interditaram a Ponte sobre o Rio Tocantins usada pela Vale para escoar o minério de ferro até São Luis-MA.

O então governador Hélio Gueiros mandou desobstruir a ponte e quinhentos soldados do 4º batalhão da Polícia Militar do Pará encurralaram os garimpeiros e avançaram por uma das cabeceiras da ponte, atirando na multidão, enquanto o Exército fechava o acesso na outra cabeceira. Há relatos de que os policiais atiraram durante 15 minutos com metralhadoras e fuzis. Muitos garimpeiros se jogaram do vão de 76 metros da ponte. Dezenas de garimpeiros foram feridos e/ou mortos.

Em 1992, Fernando Collor, presidente do Brasil, decretou o fechamento definitivo do garimpo e devolveu o direito de lavra para a então Cia Vale do Rio Doce, hoje Mineradora Vale, não há notícias de que a Vale devolvera o pagamento recebido pela indenização em 1984.

De forma oficial, cerca de quarenta toneladas de ouro foram extraídas em Serra Pelada.

Mesmo com o fechamento do garimpo cerca de seis mil pessoas teimaram em aguardar a reabertura do mesmo na Vila de Serra Pelada. Entre uma migalha de ouro e outra resgatada das montoeiras deixadas pela garimpo, tais garimpeiros foram sobrevivendo.

No dia 11 de setembro de 2002, o Senado Federal aprovou a devolução aos garimpeiros o direito de lavra de 100 hectares — parte dos 10 mil hectares em mãos da Companhia Vale do Rio Verde. Em 2007 o Ministério das Minas e Energia negociou com a mineradora que cedeu 700 hectares da área à Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) para exploração mineral.

De posse da área, a direção da Coomigasp foi em busca de um parceiro que viabilizasse a lavra. Nesse sentido foi criada, sob o aval do então ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, a SPCDM – Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral, resultado da sociedade e entre a Colossus Mineração Ltda, empresa multinacional do grupo canadense Colossus Minerals Inc., e a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp).

No início, essa parceria previa a divisão dos investimentos e dos lucros na ordem de 51% para a Colossus e 49% para a Coomigasp. Posteriormente, em Assembleia Geral promovida pela Coomigasp, foi aprovado novo um contrato onde a Colossus faria todo o investimento necessário para que se chegasse a produção do ouro e em troca a Cooperativa cederia mais 24% do projeto para a mineradora, ficando com 25% do ouro produzido. A parte que caberia à Coomigasp seria distribuída aos garimpeiros devidamente cadastrados e regulares.

Paralelamente ao início do projeto, a diretoria da Coomigasp vinha recebendo recursos mensais da Colossus para sua manutenção. Ninguém da Colossus ou da Coomigasp sabe dizer se tais recursos estavam previstos no contrato inicial e se a somatória deles serão descontados dos valores a serem repassados à Coomigasp quando o projeto estiver em fase de produção.

O uso desses recursos levou à uma eterna briga entre “facções” dentro da Cooperativa pela posse da chave do cofre da mesma. No meio dessa disputa várias ações trabalhistas e cíveis foram impetradas contra a Coomigasp, que hoje é um poço de dívidas.

A justiça do Pará afastou o então presidente Jessé Simão e posteriormente decretou a intervenção na Coomigasp e nomeou Marcos Alexandre Mendes interventor para apurar supostos erros, recadastrar associados e acompanhar a evolução do projeto.

A Colossus, meio que alheia a toda essa briga, continuava a implantação do projeto, já que havia investido cerca de R$30 milhões em pesquisas no local antes mesmo da assinatura do contrato. Divulga-se que o investimento total da Colossus no projeto Serra Pelada é da ordem de R$500 milhões. A Colossus jamais disse de forma oficial quanto ouro e outros minerais ainda há em Serra Pelada e qual a expectativa de produção.

O silêncio da mineradora criou uma expectativa perigosa aos 38 mil associados da Coomigasp. Há relatos do comércio ilegal de direitos na Coomigasp entre associados e especuladores, que acreditam em um grande faturamento e um lucro enorme, já que corre amiúde que em Serra Pelada haveria centenas de milhares de toneladas de ouro

Há alguns meses, durante o evento denominado Anuário Mineral, alguns autoridades estiveram em Serra Pelada a convite da SPCDM para a inauguração do sistema elétrico do projeto. Durante o evento, em reunião que contou com a presença, entre outros, do deputado Raimundo Santos – PEN-PA (presidente da Comissão de Mineração da Alepa); de Wenderson Chamon (prefeito de Curionópolis); Cláudio Mancuso (CEO da Colossus); Rosana Entler (diretora da Colossus); José Fernando Gomes Jr. (presidente do Simineral);
Armando Pingarilho (gerente de relações institucionais da Colossus); Alberto Arias (investidor); Divaldo Salvador de Souza (empresário); e vários garimpeiros da Coomigasp, foi cobrado da Colossus uma posição sobre a expectativa do quantitativo de produção do projeto. Houve certa relutância por parte da mineradora, todavia, após vários questionamentos, foi informado que a expectativa da Colossus é de uma produção de 1.000.000 Oz (hum milhão de onças) de ouro, que seriam aproximadamente 31 mil quilos de ouro durante os 11 anos previstos pelo projeto.

Essa informação deveria ter sido expandida aos garimpeiros imediatamente para que essa expectativa de que com o início da produção milhares de associados da Coomigasp teriam, finalmente, realizados os seus sonhos de bamburrarem, já que segundo a informação da Colossus, ao preço de hoje, cada um dos 38.000 garimpeiros associados à Coomigasp receberá apenas R$18.619,07 (dezoito mil, seiscentos e dezenove reais e sete centavos) ou R$1.692,64 (hum mil, seiscentos e noventa e dois reais e sessenta e quatro centavos) por ano, ou R$141,05 (cento e quarenta e um reais e cinco centavos) por mês durante os 11 anos previstos para o projeto, isto se não forem descontados os custos de produção, o que é normal nestes contratos.

1.000.000 Oz (previsão da Colossus) x

R$2,830,10 ( valor atual da onça de ouro) = R$2.830.100,000,00

25% desse valor (que caberá a Coomigasp) = R$707.525.000,00

Dividido por 11 anos (previsão do Projeto) = R$64.320.454,54

Dividido por 12 meses (ano) = R$5.360.037,87

Dividido por 38.000 (número de associados) = R$141,05 por garimpeiro, sem considerar os custos de produção

Apesar de todas as antigas direções da Coomigasp terem vendido aos associados o sonho de que em Serra Pelada existem ainda centenas de milhares de toneladas de ouro, a realidade é outra, e é preciso que agora, munidos dessa informação oficial, as autoridades busquem algumas alternativas que possam dar sequencia ao projeto. Uma delas deverá ser um rigoroso recenseamento dos associados, já previsto no Termo de Ajustamento de Conduta assinado pelo interventor quando de sua nomeação.

4 de dez de 2013

ÍNDIOS FAZEM PROTESTO E TENTAM INVADIR PALÁCIO DO PLANALTO, EM BRASÍLIA

Indígenas brigam com seguranças do Palácio do Planalto durante protesto em Brasília
A PM informou, incialmente, não ter havido confronto com os manifestantes, porém, imagens da TV Globo mostram que, quando índios tentaram subir a rampa do Palácio do Planalto, a segurança da Presidência fez um bloqueio para impedir a passagem e utilizou spray de pimenta para afastá-los. Após tentativa de entrada no palácio, o grupo seguiu para o Ministério da Justiça.


Os manifestantes participam da Conferência Nacional de Saúde Indígena, que ocorre em Brasília até o final desta semana, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB).

A mobilização ocorreu depois de o movimento indígena ter acessado a minuta de uma portaria do Ministério da Justiça que estabelece instruções ao procedimento de demarcação de terras indígenas, nos termos do Decreto 1775/96.

"Contrariamente às alegações do governo, a dita portaria eterniza a não demarcação de terras indígenas, fragiliza por vez a Funai, e desenha um quadro assustador de acirramento de conflitos", diz um trecho da nota da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), organização que propôs o protesto.

Para lideranças indígenas, a portaria, se publicada, inviabilizará o direito constitucional à terra tradicional. "A minuta diz que a delimitação da terra deverá minimizar impactos, ou seja, se fazendas incidirem sobre as terras, a demarcação não ocorrerá", afirma Sônia Bone Guajajara, da Apib.

A indígena Eliane Terena, de Mato Grosso do Sul, afirmou que o governo não tem atendido os pedidos dos índios. "Eles [governo] não atendem a gente. A gente fica na conferência [5ª Conferência Nacional de Saúde Indígena] reivindicando, reivindicando, mas eles não escutam. Então, o jeito foi vir aqui [para o Palácio da Justiça]", disse.

 O Ministério da Justiça informou por meio da assessoria de imprensa que indígenas devem ser recebidos ainda nesta quarta-feira pelo ministro José Eduardo Cardozo para discutir as reivindicações.

Em nota publicada nesta terça-feira (3), a pasta informou que tem recebido "contribuições" de indígenas, entidades indigenistas, órgãos governamentais e associações de agricultores para tratar do assunto. Na avaliação do ministério, a nova regulamentação "aumentará a transparência no processo demarcatório" de terras.

"A expectativa do Ministério da Justiça é que o novo procedimento reduza a judicialização e, com isso, agilize a demarcação de terras indígenas em todo o país”, informou em nota o Ministério da Justiça

18 de jul de 2013

GRUPO MATEUS: Acordo põe fim a greve



Após três dias e meio de paralisação e uma reunião que durou quase o dia inteiro, os 1.100 funcionários do Grupo Mateus, maior rede de supermercados de Marabá, voltaram ao trabalho.

Os funcionários e também o Sindicato dos Comerciários de Marabá e Região (Sindecomar) consideram que saíram vitoriosos da greve iniciada na segunda-feira (15) e encerrada no início da tarde desta quinta-feira (18).
 
Eles conseguiram reajuste salarial para R$ 833,00, plano de saúde, cesta básica, não descontar os dias de greve, saída dos serviços aos domingos e feriados às 14 horas em ponto, 180 dias de estabilidade e redução da jornada para 7 horas diárias.

16 de jul de 2013

DENUNCIA CONTRA O GRUPO MATEUS: Funcionários denunciam Supermercado

 Até a noite de ontem o Supermercado Mateus da Folha 33, na Nova Marabá, e o Mix Mateus, na Rodovia Transamazônica, no Núcleo Cidade Nova, permaneciam fechados, com cadeados nos portões, por intervenção do Sindicato dos Empregados no Comércio de Marabá e Sul do Pará (Sindecomar), atendendo a inúmeras queixas dos funcionários do grupo em Marabá.
Entre as diversas reclamações dirigidas à entidade sindical estão: o não pagamento de horas extras, estas convertidas em banco de horas, das quais os empregados nunca usufruem; horário de trabalho exaustivo aos domingos; o desconto em dobro, caso de falta, esta novamente descontada nas férias.
Outras queixas fazem referência ao fato de as funcionárias que trabalham nos caixas serem vigiadas por câmeras durante 24 horas; não poderem atender telefonemas, mesmo que estes sejam urgentes; e só poderem usar bolsas transparentes, conforme confirmou o presidente do Sindecomar, Adelmo Azevedo Lima.  
"As funcionárias também são proibidas de usar qualquer tipo de joia, relógio ou maquiagem, assim como sapatos de salto alto", complementou ele. De acordo com Adelmo, o sindicato fechou o supermercado porque, como entidade representativa de classe, tem autonomia para isso. "Nós enviamos para a matriz, em São Luís (MA), a pauta de reivindicações dos funcionários e agora estamos esperando uma resposta da direção do Mateus", disse ele.    Um dos funcionários que participavam do piquete em frente ao Mix Mateus, ontem, Derivaldo Soares disse que no Mateus os funcionários trabalham muito e recebem pouco: "Somos cobrados por tarefas que não podemos fazer, nos sentimos explorados, fazemos horas extras e não estamos recebendo".
 “Nós queremos a redução da jornada de trabalho”, disse outro funcionário, José Orlando Nunes Oliveira, que já trabalha há quatro meses no supermercado.   Segundo o funcionário Sérgio Vieira Mota, fiscal de prevenção de perdas, quem trabalha no Mateus sofre assédio moral: "É comum trabalhar 7 horas por dia aos domingos e, mesmo não faltando, cumprindo todos os horários, sempre há descontos e faltas", afirma ele, complementando: "Quando chega o pagamento, as horas extras nunca aparecem, e sempre estamos devendo horas”.  
De acordo com João Luiz da Silva Barnabé Diretor de Assuntos Jurídicos do Sindecomar, a rede de supermercados só voltará a abrir as portas depois de entrar em acordo com os funcionários e o sindicato para que seja regularizada a situação dos trabalhadores.  
Na noite de ontem, por telefone, Adelmo Azevedo Lima disse  sem citar nomes, que dirigentes locais do supermercado ameaçaram demitir todos os funcionários em greve, a quem chamaram de "vagabundos" - cerca de 500 - e hoje mesmo admitir pessoas para fazer as duas lojas voltarem a funcionar.
O sindicalista, entretanto, alertou: "Caso eles tentem fazer isso, não vai dar certo. Faremos piquete na porta dos dois supermercados até que a situação seja resolvida, até que a direção entre em acordo com os funcionários".   Baderna Procurado Neogenes Félix, gerente do Mix Mateus disse que não estava se colocando contra as reivindicações, mas, na opinião dele, a manifestação já estava virando baderna: "Estão colocando cadeados em um patrimônio privado e impedindo a entrada de clientes e dos funcionários que querem trabalhar”.

30 de mai de 2013

ATÉ VEREADOR RECEBE: No Maranhão, boato sobre Bolsa Família revelou fraudes




A investigação sobre a origem da onda de boatos levou a denúncias contra vereadores de pequenos municípios maranhenses que também estão recebendo o Bolsa Família. Em Coroatá, a 247 quilômetros de São Luís, o vereador Juscelino do Carmo Araújo (PT) foi denunciado por receber o benefício mesmo tendo declarado à Justiça Eleitoral possuir patrimônio de R$ 320 mil. O caso foi denunciado na Câmara Municipal pelo vereador Júnior Buhatem (PMDB).
Já em Fortaleza dos Nogueiras, a 661 quilômetros de São Luís, a denúncia também foi em sessão da Câmara, contra o vereador Edimar Dias (PSD).
O prefeito do município, Elimar Nogueira (PR), que fez questão de acompanhar a sessão, disse que tem provas.
— O cidadão está, desde o seu primeiro mandato, recebendo auxílio da Bolsa Família junto com sua esposa? Isso não precisa ser apurado, tenho documentos, fomos à Caixa, e o dinheiro está sendo depositado na conta do vereador — acusou Elimar.
A Polícia Federal, que está investigando os boatos no Maranhão, não quis se pronunciar sobre o assunto.
Entre os beneficiários, as reações diante dos boatos foram variadas. Com três filhos, Rojane dos Santos Martins foi uma das milhares de maranhenses que entraram em desespero quando soube que o Bolsa Família poderia acabar e que ela teria até a meia-noite para sacar o dinheiro na Caixa. Foi a mãe dela quem ligou na noite de sábado dia 18 repassando a notícia.
— Entrei em pânico, chamei a vizinha que também recebe o Bolsa Família, e corremos para a Caixa, onde graças a Deus conseguimos sacar o nosso dinheiro — recorda-se ela. — Quando cheguei à Caixa, foi aquela agonia, gente chorando porque não tinha caído seu dinheiro na conta. Todo mundo dizia que soube por outra pessoa, e ninguém nos explicava nada.
Com a disseminação do boato no dia 18, nove serviços de autoatendimento da Caixa foram depredados no Maranhão.
Mas nem todos os beneficiários acreditaram no fim do Bolsa Família. Em Maceió, a dona de casa Laudileide Costa da Silva, de 34 anos, mãe de três filhos que recebe R$ 134 por mês, esperou em casa o desfecho da conversa que se espalhou de boca em boca no bairro da Serraria.
— Diziam muita coisa. Teve gente que disse que recebeu R$ 600 do Bolsa Família. Queria que o boato fosse verdade, mas era uma história tão mal contada que não dava para acreditar.
A técnica de enfermagem desempregada Maria Cícera Pereita da Silva, de 50 anos, assistiu aos telejornais daquele sábado e também desconfiou:
— Reuni a família inteira para conversar. E disse que era mentira, porque a Dilma teria ido à televisão para ela mesma dizer que o programa acabou. Nem fui à agência bancária.
Em Fortaleza, a dona de casa Euda Farias foi uma das que correram ao caixa eletrônico:
— Minha nora, que mora em Trairi (a 125 quilômetros da capital cearense), ligou avisando que era preciso tirar logo o dinheiro, porque ele seria bloqueado por seis meses. Ela disse que ficou sabendo por outras pessoas, a cidade inteira comentava. Não pensei duas vezes: saquei na mesma hora. A correria foi tão grande, era tanta gente tentando sacar, que o primeiro caixa que procurei já estava sem cédulas, e tive que procurar outro. Nunca vi coisa igual.
A dona de casa Maria Lúcia Farias Barbosa desconfiou:
— Disseram que tinha uma espécie de presente pelo Dia das Mães, um dinheiro a mais. Minha cunhada até foi sacar o benefício dela, mas resolvi não embarcar nessa. Desconfiei que era uma armadilha porque, quando é coisa do governo, avisam com antecedência, colocam no jornal, e isso não tinha acontecido.
ção.

21 de abr de 2013

IMPERATRIZENSE: Capitão PM morto em Belém

O corpo do capitão da Polícia Militar, Edmar Lima, de 45 anos, foi levado neste sábado (20), em um avião do governo do Pará, para Imperatriz, no Maranhão, onde ele nasceu. Antes, o velório aconteceu no Hangar no estado, em Belém.
Parentes, amigos e colegas de corporação fizeram as últimas homenagens ao policial militar. Edmar Lima trabalhava há 26 anos na Polícia Militar. Começou como praça, fez curso para oficial e então se tornou capitão. A aposentadoria dele estava prevista em quatro anos.
“O capitão Edmar era uma pessoa muito importante para nós pelo seu trabalho, pelo seu empenho, pela sua vida social, um exemplo, uma referência e para nós é uma perda muito grande", disse Major Carmo, da Polícia Militar.
O capitão da PM morreu na noite da última sexta-feira (19), quando completou 45 anos de idade. Ele estava em serviço em uma blitz, na avenida Pedro Álvares Cabral, próximo à Visconde de Souza Franco, quando foi atropelado por um carro.
Com a força do impacto, o corpo do capitão Edmar Lima parou a mais de trinta metros de distância. Ele morreu na hora. No carro do suspeito a perícia encontrou uma garrafa de cerveja.
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